toda sexta-feira, toda roupa é branca

Caetano, Saramago e Jorge Amado

“Toda sexta-feira toda roupa é branca. Toda pele é preta. Todo mundo canta. Todo céu magenta. Toda sexta-feira todo canto é santo. E toda conta. Toda gota. Toda onda. Toda moça. Toda renda. Toda sexta-feira. Todo o mundo é baiano junto.” Adriana Calcanhotto

Toda sexta-feira é assim, independente de ser ou não sexta-feira 13. Para a maioria dos baianos, sexta é dia de acordar e escolher uma roupa alvinha para vestir. Se for a primeira ou última sexta-feira do ano, a roupa vira o traje de um passeio à Colina Sagrada, em Salvador, onde fica a Igreja do Senhor do Bonfim, para agradecer e pedir bênçãos. Não importa a religião e nem a classe social, sexta é dia de branco. E hoje, não vai ser diferente.

Para pedir paz, para agradecer bênçãos, para seguir a tradição, em respeito ou homenagem a Oxalá (Senhor do Bonfim, no sincretismo) ou simplesmente para se sentir bem, a Bahia se veste de branco na sexta.

“Muitos dos que não são seguidores, mas denominam-se simpatizantes de uma ou outra devoção, usam o código da cor por crer nela como símbolo de boas energias, ou por acreditar ser uma forma de afirmação e pertencimento, fazendo manter viva a tradição no inconsciente coletivo da população baiana e de todos os que visitam a Bahia” Mira Albuquerque (historiadora)

Vestir branco na sexta virou traço de uma identidade e identificação baiana. É como se num dia da semana, resolvêssemos nos vestir de baianidade nagô e sair vibrando, estampando a felicidade de fazer parte de uma cultura rica e única, exatamente por abraçar tantas outras culturas.

E, em falar em nagô, “nagô” é como os franceses chamavam os negros que falavam ou entendiam a lingua yorubá, de uma cultura baseada numa mitologia própria, a Mitologia dos orixás.

Num dos mitos mais conhecidos, Oxalá (Orixá associado à criação do mundo e da espécie humana), com saudades do seu filho Xangô, resolve ir visitá-lo. No meio do caminho, Exu lhe pede que o ajude a levantar um saco de carvão e depois um barril de azeite de dendê. Ambos estavam furados e sujam toda a roupa branca de Oxalá.

Ao chegar ao Reino, Oxalá é confundido com um bandido e preso por sete anos, os piores sete anos do reino de Xangô. Em visita à prisão, Xangô descobre seu velho pai e o leva nas costas até o palácio, onde ele mesmo se encarrega de banhá-lo e vestí-lo com as roupas mais brancas que existem. Todos se purificam e vestem-se de branco em seu respeito.

Oxalá é cultuado também como o Senhor do Bonfim (padroeiro de Salvador), cujo dia de culto é a sexta-feira, dia em que “todo o mundo é baiano junto”.

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